6.6.12

6º Capítulo - “Vai-te embora!”

hug!
Ambos sabíamos qual seria a resposta… Mas na verdade faltava-me a coragem para o dizer. Como seria se fossemos namorados? Andaríamos de mão dada pela escola? Beijávamo-nos de vez em quando? E de repente pus-me a imaginar… Sentir com frequência os meus lábios nos dele, sentir que lhe pertencia… Toda esta ideia agradava-me.
Mas tinha medo do que as pessoas pudessem pensar. Afinal de contas éramos demasiado pequenos para estas coisas. E se a nossa “relação” acabasse? Como iria ser depois? Via que mal os adultos conseguiam lidar com este tipo de separações quando mais crianças! Tinha medo que depois, no fim, não continuássemos a ser amigos...
- Dudu, não sei o que responder – Disse ao pensar em tudo isto.
- Diz simplesmente que sim, o que te impede?
- Tenho medo…
- Do quê? – Perguntou ele curioso.
- Do que as pessoas podem pensar, afinal somos apenas crianças.
- Ya é verdade mas tu nunca te importaste com o que os outros pensam, porque começaste agora? – Disse ele com toda a razão.
- Porque… Não sei! Também não é só isso… - Disse reticente.
- Então é o quê?
- Tenho medo que isto acabe com a nossa amizade, pronto já disse!
- Ah então é isso! Não te preocupes… Isto ainda nem começou e tu já estás a pensar no fim. Tem calma! – Disse-me enquanto me tentava acalmar.
- Duarte, eu não suporto viver sem a tua amizade entendes? E sinceramente prefiro não arriscar perdê-la! – Respondi segura do que dizia.
- Diz a verdade, tu não queres é namorar comigo e só estás a tentar arranjar desculpas! – Fiquei chocada com estas palavras.
- Como podes dizer uma coisa destas? Tu não percebes que só não quero estragar aquilo que temos? Acho que devíamos esperar mais uns anos até sermos mais crescidos e soubermos lidar com isto, pode ser?
- E se nós deixarmos de gostar um do outro até aí? Que fazemos? – Perguntou ele sem querer aceitar a minha ideia.
- Então aí significa que não estava destinado, simplesmente. Dudu, a sério tenta perceber que é o melhor para os dois!
- Ok, ok se calhar tens razão… - Disse ele já mais convencido.
- Sem ressentimentos?
- Sim! – E com isto abraçamo-nos e continuámos a ver o filme.
Passámos o resto da tarde a falar e a ver filmes. Até que se ouve alguém a bater à porta. 
- Quem será a esta hora? Não deve ser a minha mãe, ela tem chaves! – Disse o Dudu com cara de desconfiado.
- Não sei, vamos ver? – Propus.
- Ya, bora! – Fomos os dois para junto da porta e perguntámos quem era. Como ninguém respondia abrimos lentamente a porta e adivinhem quem estava do outro lado! Era o Sr. André, o pai do Duarte!
- O que estás aqui a fazer? – Perguntou o Dudu chateado.
- Posso entrar? – Disse ele meio atordoado. Não consegui perceber se estava bêbado ou não.
- Primeiro dizes o que queres daqui! – Respondeu-lhe o Dudu num tom violento.
- Vim falar com a tua mãe. Ou já não posso falar com a minha mulher na minha própria casa? – Estava a ficar agressivo.
- Depois do que fizeste, não! – O Dudu não se intimidou.
- Vá lá que eu não tenho tempo para ficar aqui a falar com crianças. Deixa-me entrar.
- Não deixo! Depois do que aconteceu não mereces nem por um pé dentro desta casa. Vai-te embora! – Ele não estava a gostar nada daquilo.
- Ouve, puto esta casa é minha e eu faço o que quiser, percebes? É melhor deixares-me entrar a bem se não entro a mal. E olha que não vai ser nada bonito!  - Disse o Sr. André num tom ameaçador. Eu não tinha coragem de intervir pois sabia que o Dudu não queria. Aquilo era algo entre pai e filho.
- O que é que queres daqui André? E porque estás a falar assim com o Duarte? Quem é que tu pensas que és? – Esta era a D. Mariana que tinha acabado de chegar do trabalho e quando viu esta cena ficou furiosa.
- Olha quem é ela… Eu só queria falar contigo meu amor e esclarecer tudo, só que o teu filho não me deixou entrar! – Disse ele num tom subitamente carinhoso.
- E fez ele muito bem. – Respondeu a D. Mariana.
- Mau, tu também? Eu já me estou a passar com isto! Mas vocês deixam-me entrar ou não? Não estou aqui para brincadeiras! – Tinha medo desta agressividade dele.
- Olha tu aqui não mandas nada, sim? É melhor ires-te embora se não queres arranjar problemas! – Disse a mãe do Dudu sem medos.
Ele acabou por desistir e foi-se embora. Mas prometeu que as coisas não iriam ficar assim. Dentro de poucos dias a D. Mariana fez queixa dele na polícia, meteu os papéis do divórcio e arranjou um advogado. Aquela família estava abalada. 

1 comentário:

Duarte M. disse...

As crianças sofrem sempre com estas cenas :s